Surfari apresenta Driftwood Collective

Posted by , 27/01/2013, ATIVADORES, DESTAQUES

Praias são lugares onde acontecem revoluções culturais.

Foi em uma praia, que há cerca de 513 anos os portugueses pisavam no Brasil e iniciavam a maior virada cultural da nossa história. Também das praias, há pouco mais de meio século recebíamos uma inundação de influências californianas/havaianas que traziam o surf como protagonista.

Existem pessoas que fazem da praia o palco para as suas pequenas revoluções, sejam elas existenciais ou físicas. Os portugueses do Driftwood Collective (DwC), viram no mar a oportunidade para deixarem de ser apenas sonhadores e colocarem boas ideias em prática. O Surfari teve contato com o material produzido por eles e ficamos impressionados com a qualidade e sensibilidade. Pensamos: Isto tem que ser visto por mais gente.

Estamos muito felizes em apresentar o Driftwood Collective, os primeiros Ativadores do Surfari do outro lado do Atlântico.

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DwC a algumas de suas produções. Fonte: driftwoodcollective.org

- Quem, de onde são e o que fazem os integrantes do DwC? 

A DwC é um colectivo artístico, baseado na Figueira da Foz, Portugal, que tem como denominador comum o gosto pelo mar e uma cultura de surf alternativa. Arquitectos, artistas plásticos, fotógrafos, shapers e engenheiros constituem uma equipa multidisciplinar empenhada em explorar a relação com o mar e todo um estilo de vida alternativo e sustentável.

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Prancha reciclada de um longboard quebrado dada de presente para um amigo surfista. Fonte: driftwoodcollective.org

- Como e com que propósito vocês iniciaram o coletivo?

O colectivo nasceu para combater o tédio dos dias sem surf. Cansados de passar horas em frente ao computador a ver vídeos do Knost a surfar Malibu, e a sonhar em como seria viver na Califórnia rodeado de toda aquela malta a produzir coisas fantásticas, resolvemos passar de uma atitude contemplativa a uma de produtividade criativa!

- Vocês investem bastante no registro audiovisual das atividades que fazem e mandam bem tanto na execução dos projetos quanto na edição dos vídeos. Expliquem um pouco sobre como ocorre o processo criativo dessa galera toda… 

Na DwC acreditamos que objectos fabricados manualmente tem uma qualidade especial que o fabrico em série não consegue reproduzir. É uma qualidade quase táctil que eventualmente tem mais que ver com o erro humano do que com uma perfeição imaculada. A estética dos nossos produtos explora precisamente a comunicação desse processo construtivo… por exemplo: o grafismo das pranchas deriva directamente da sobreposição das telas pigmentadas em vez de ser um simples embelezamento da mesma.

Neste contexto o video torna-se numa ferramenta essencial na comunicação destas peças. Mais do que uma imagem estática que retrate o aspecto final dos objectos estamos interessados em explorar meios de comunicação que contem a história do seu processo de fabricação, e que impliquem o tempo, o lugar e as pessoas por detrás de cada peça.

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O amor machuca. Fonte: driftwoodcollective.org

- Vocês falam sobre uma incerteza quanto ao propósito do DwC, mas se lhes fossem dadas as ferramentas e condições ideais para criar e se expressar qual caminho pensam que seguiriam?

Não muito diferente daquele que estamos a seguir neste momento. De certa forma acredito que as limitações ( económicas ou de processos) definem em grande parte a identidade da DwC. Provavelmente se não tivéssemos limitações econômicas estavamos a surfar com pranchas importadas da Califórnia e estaríamos mais aborrecidos e mais “pobres”. Como dizia Jaime Lerner, antigo prefeito de Curitiba “…querem criatividade retirem um zero ao orçamento, querem sustentabilidade retirem dois.”

- Falem um pouco sobre a dinâmica da cena de surf portuguesa.. a iniciativa independente é valorizado ou existe uma tendência mais comercial..

No geral a cena de surf é maioritariamente comercial e a referência é o surf agressivo do atleta profissional que corre o WCT. No entanto sinto que o nosso trabalho é apreciado e respeitado… daí a entrarem no barco vai uma grande distância!

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It ain’t all sunshine. Traduzindo: O sol nem sempre está brilhando. Fonte: driftwoodcollective.org

- O primeiro contato que tivemos com o DwC foi através do filme “30 Days Without Surfing”. Contem como ocorreu a concepção desse filme e da mensagem passada…

“30 Days Without Surfing” surge num período particularmente conturbado para a economia Portuguesa. A mensagem que o filme passa vai na linha da velha canção dos Monty Python: “…allways look on the bright side of life”. O filme procura olhar para a crise como uma oportunidade para redefinir prioridades, repensar necessidades e encontrar novas capacidades quer em nós próprios quer nas coisas que nos rodeiam.

- O que podemos esperar do DwC para o futuro próximo? Onde seus esforços estão concentrados?

Neste momento estamos a montar uma oficina nova que pretendemos que seja simultaneamente um espaço de convívio e partilha de conhecimentos. A loja on-line será lançada até ao fim do ano (2012) e portanto aquilo que começou como blog vai-se a pouco e pouco transformando numa pequena empresa. O desafio é dar este salto sem nunca perder de vista a identidade exploratória e a autenticidade de cada peça. Portanto continuem ligados que teremos grandes novidades muito em breve…. e claro… se passarem na Figueira da Foz teremos todo o gosto em partilhar uma surfada!

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Introdução: Duda Linhares

Entrevista: Lucas Zuch

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